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Política

Criador da teoria do Domínio do Fato diz que não falou sobre Mensalão

Da Redação - SUL21
No dia 12 de novembro, veículos brasileiros, dentre eles o Sul21, repercutiram uma entrevista publicada no jornal Folha de São Paulo com o jurista alemão Claus Roxin a respeito do uso da “teoria do domínio do fato”. De acordo com o texto, o especialista – ele próprio fundador da teoria – teria repreendido a aplicação do “domínio do fato” pelo Supremo Tribunal Federal no caso do “mensalão”.

Roxin, no entanto, emitiu um comunicado nesta segunda-feira (19), através de três alunos, para refutar as frases atribuídas a ele. De acordo com o jurista, ele concedeu entrevista sobre aspectos gerais da teoria do domínio do fato, mas não falou sobre a atuação do STF. Ele acredita que suas colocações foram colocadas fora de contexto pelo veículo.
Em nota, ele afirmou que não emitira um parecer sobre o julgamento da Ação Penal 470 por desconhecer o processo e acentuou que a análise da ação dos ministros cabe aos especialistas em Direito Penal brasileiro.
Confira a nota redigita por Luís Greco, Alaor Leite e Augusto Assis:
“É de conhecimento geral que o professor Claus Roxin esteve no Rio de Janeiro para receber um título de doutor honoris causa da Universidade Gama Filho e para participar do Seminário Internacional de Direito Penal e Criminologia ocorrido na Escola da Magistratura entre os dias 30 de outubro e 1o de novembro, em convite formulado por intermédio do professor Juarez Tavares. Por ocasião dessa visita, alguns meios de comunicação pediram a concessão de entrevistas, o que foi feito de bom grado. Em nome do professor Roxin e a pedido dele, na condição de seus alunos, gostaríamos de repassar ao público brasileiro os esclarecimentos feitos pelo professor em relação a alguns fatos divulgados nos últimos dias:
O professor manifesta, em primeiro lugar, o seu desgosto ao observar que a entrevista dada ao jornal Folha de São Paulo, concedida em 29 de outubro de 2012 e publicada em 11 de novembro de 2012, ocasionou grande repercussão, mas em sentido errôneo. As palavras do professor, que se referiam apenas a aspectos gerais da teoria por ele formulada, foram, segundo ele, transformadas, por conta exclusiva do referido veículo, em uma manifestação concreta sobre a aplicação da teoria ao caso conhecido como “mensalão”. O professor declara, ademais, sua mais absoluta surpresa ao ler, no dia 18 de novembro de 2012, notícia do mesmo jornal, em que consta que ele teria manifestado “interesse em assessorar defesa de Dirceu”.O professor afirma tratar-se de uma inverdade.
A redação final dada pela Folha de S.Paulo à referida entrevista publicada em 11 de novembro de 2012 é imprecisa, segundo o professor, as respostas não seriam mais do que repetições das opiniões gerais que ele já defende desde 1963, data em que publicou a monografia sobre “Autoria e domínio do fato” (Täterschaft und Tatherrschaft). A imprecisão deve-se ao título ambíguo conferido à matéria, que faz supor que houvesse uma manifestação sobre o caso ora em curso no Supremo Tribunal Federal brasileiro: “Participação no comando do mensalão tem de ser provada, diz jurista”. O professor não disse a seguinte frase a ele atribuída: “Roxin diz que essa decisão precisa ser provada, não basta que haja indícios de que ela possa ter ocorrido”, que é inclusive juridicamente duvidosa. A entrevista foi concluída com uma declaração posta fora de contexto, a respeito da necessária independência do juiz em face da opinião pública. Essa pergunta foi a ele dirigida não pela Folha de S.Paulo, e sim pelo magistrado aposentado Luiz Gustavo Grandinetti, na presença do professor Juarez Tavares, de Luís Greco e de Alaor Leite, estes dois últimos seus alunos. A Folha já havia terminado suas perguntas quando Grandinetti, em razão de uma palestra em uma escola para juízes (a EMERJ) que Roxin proferiria, indagou se havia alguma mensagem para futuros juízes, que, muitas vezes, sofrem sob a pressão da opinião pública. O professor respondeu a obviedade de que o dever do juiz é com a lei e o direito, não com a opinião pública.
A Folha, contudo, ao retirar essa declaração de seu contexto, criou, segundo o professor, a aparência de que ele estaria colocando em dúvida a própria isenção e integridade do Supremo Tribunal Federal brasileiro no julgamento do referido caso. A notícia do dia 18 de novembro vai além, afirmando: “O jurista alemão disse à Folha que os magistrados que julgam o mensalão ‘não tem (sic) que ficar ao lado da opinião pública, mesmo que haja o clamor da opinião pública por condenações severas’”. O professor recorda que nenhuma dessas ambiguidades existe na entrevista publicada pela Tribuna do Advogado do mês de novembro, entrevista essa concedida, inclusive, na mesma ocasião, à mesma mesa redonda, que a entrevista concedida à Folha.
O professor declara tampouco ter interesse em participar na defesa de qualquer dos réus. Segundo ele, não só não houve, até o presente momento, nenhum contato de nenhum dos réus ou de qualquer pessoa a eles próxima; ainda que houvesse, o professor comunica que se recusaria a emitir parecer sobre o caso. Em primeiro lugar, o professor desconhece o caso quase por completo. Em segundo lugar, afirma que, pelo pouco que ouviu, o caso não desperta o seu interesse científico. O professor recorda que interesses políticos ou financeiros lhe são alheios, e que não foi sobre tais alicerces que ele construiu sua vida, sua obra e sua reputação. Por fim, o professor declara que não se manifestou sobre o resultado da decisão e que não tem a intenção de fazê-lo. Além disso, não está em condições de afirmar se os fundamentos da decisão são ou não corretos, sendo esta uma tarefa que incumbe, primariamente, à ciência do Direito Penal brasileira.
Estes são os esclarecimentos que o professor Claus Roxin gostaria de fazer ao público brasileiro, na esperança de que, com a presente nota, possa pôr um fim a essas desagradáveis especulações.”
Com informações do Consultório Jurídico

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Comentários  

 
0 #3 Ester Neves 23-11-2012 20:50
Claro que ele não seria irresponsável de falar sobre o mensalão, sem conhecer o processo. Ele falou de um fato, no qual, qualquer um que não seja idiota sabe que o mensalão enquadra-se, ou seja, disse ele que "a participação no comando de esquema tem de ser provada".
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0 #2 ester 21-11-2012 14:05
Gente!... Resolví voltar pois descobrí que um velho com mais de setenta anos tem privilégios e em muitos casos como "fofoqueiro" não pode ser preso pois existe ainda Liberdade de Expressão. Vou falar mau de JB. Enquento ele estava largando a lenha no PT estava tudo bem. Agora ele vai mecher em um ninho de cobras que são os Tucanos. Tenho pena dele pois é capaz de o PSDB, DEM e PT se unirem e rebaixlo a Juiz da série B aonde vai apitar jogos do Palmeiras.
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0 #1 HUGO CEZAR PEREIRA B 19-11-2012 23:41
se não conseguimos reconstituir o passado - a liberdade é a regra
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